25 nov 2014

Apple vende no Brasil os novos iPhones mais caros do mundo

Iphone 6 Plus

O consumidor que quiser comprar os iPhones 6 e 6 Plus, que começam a ser vendidos no Brasil nesta sexta-feira (13), terá de abrir espaço no bolso. Além de serem os maiores já criados pela empresa, os smartphones comercializados no país são os mais caros do mundo, de acordo com levantamento realizado nas lojas da Apple. Com preços iniciais de R$ 3,2 mil e R$ 3,6 mil, respectivamente, os celulares chegam a custar 50% mais do que a média mundial.

Os preços considerados pela reportagem são aqueles cobrados pela Apple em 36 países por meio de suas lojas virtuais. A versão analisada é a 16 Gigabytes, desbloqueada e apenas com conexão Wi-Fi. Para permitir a comparação, os valores foram convertidos para dólar. A lista de países onde os novos iPhones já são vendidos é maior, porém. Chega a 69, segundo a Apple. Em 33 deles, porém, a comercialização é feita só por revendedores, como empresas de telefonia, que abatem o preço final para condicionar a venda à contratação de pacotes de dados e outros serviços. Por isso, esses países foram desconsiderados.

Se por um lado, possuem telas grandes, de boa resolução e uma câmera com recursos “de cinema”, e “applemaníacos” os considerem mais ágeis que os antecessores, os novos iPhones têm nos preços o seu calcanhar de Aquiles. Enquanto o preço médio cobrado no mundo para o iPhone 6 é de US$ 826 e o do iPhone 6 Plus, de US$ 948, no Brasil, os valores praticados são 50% e 47% maiores, respectivamente. Ou: US$ 1.242 e US$ 1.397.

A distância entre o topo e a ponta da tabela é tamanha que os preços brasileiros são mais do que o dobro dos cobrados no Japão. No país asiático, que sofre com deflação (a queda dos preços), os aparelhos custam US$ 587 e US$ 690. Estados Unidos e Canadá completam o top 3 dos países mais baratos para “applemaníacos” brasileiros. Lá, os aparelhos custam pouco mais da metade do cobrado por aqui.

Não é novidade o Brasil ser o lar do iPhone mais caro do mundo. Isso já ocorreu, por exemplo, com o 5s, que chegou ao país em novembro de 2013. O país é ainda o lugar onde a Apple vende iPads mini pelo maior preço. Mudança mesmo do ano passado para cá foi a que ocorreu entre as segunda e terceira posições. Até ano passado dona do segundo iPhone mais caro, a Itália mas foi ultrapassado pela Turquia.

A Apple informou que vende no país tanto aparelhos fabricados localmente quanto importados, como é o caso dos novos iPhones. Esses aparelhos, argumenta a empresa, estão sujeitos a taxas alfandegárias inevitáveis. A Apple afirma se esforçar bastante para que os consumidores tenham acesso aos melhores preços e condições de compra. A solução para os altos preços, acrescenta a empresa, são as parcerias com operadoras de telefonia, que comercializam os dispositivos por preços menores mediante a contratação de pacotes de dados.

Para o analista Ivair Rodrigues, da consultoria em tecnologia IT Data, a Apple já importou mais de 50 mil unidades. “E olha que é caro. Mas se a empresa importou é porque já tem cliente para isso.” Rodrigues explica que os smartphones são trazidos pela Apple a um custo de US$ 440, valor inflado por uma carga tributária na casa dos 70%. O dólar mais caro contribui para o preço aumentar ainda mais –nesta quinta-feira, a moeda atingiu o maior valor desde 2005. Além disso, diz, “tem margem [de lucro] de 20% a 30% para o fabricantes”.

O analista comenta ainda que, caso os novos iPhones fossem produzidos no país, “ficaria, pelo menos, R$ 500 mais barato”. O Brasil é o único país além da China onde a Foxconn, fabricante terceirizada da Apple, possui fábrica. Fica em Jundiaí (SP), que produz apenas os iPhones 4. “Quando chegar a um patamar de 100 mil a 150 mil [iPhones 6 e 6 Plus] vendidos por mês, aí já dá para viabilizar a produção local. Mas por esse preço fica difícil.”

Deixe uma resposta